Eu disse ao Sr. Jean: "Pai, precisamos fazer alguma coisa. Ele parece tão boa pessoa e assim vai enlouquecer". Talvez eu já estivesse apaixonada e fosse um pretexto mas talvez não e só estivesse se manifestando o forte instinto maternal que eu não imaginava viesse a ter um dia e talvez nem precisasse porque não queria ser mãe mas depois que dei à luz entendi o que significa o ditado "do homem são as disposições do coração mas Deus direciona os caminhos". Acho que o sr. Jean me atendeu porque no fundo temia que eu tivesse puxado a ele e logo sumisse no mundo e, quando me arrependesse, fosse tarde como foi para ele e acho que estar ali diante de mim de um lado e de sua noiva do outro deixava isso bem evidente e é possível que ali tivesse tido a ideia de me dar o apartamento de presente, se o que ele imaginava estivesse certo, como estava, porque tanto me segurava perto quanto protegia o patrimônio. Foi mais ou menos o que fez quando entregou a administração da fazenda ao Kleber. Acho que todo pai é assim.
Forasteiros na região do canyon e das cachoeiras eram sempre turistas. Quem senão os locais ou, no máximo, de Belo Horizonte, iria ali à procura de trabalho? Nos últimos anos começaram a aparecer pessoas do norte, mas eram exceção; e o que dizer de um jornalista de Ribeirão Preto? O rapaz de aparência irregular, com um topete tipo crista amalucada, magro de ombros largos, fazia as trilhas entre as montanhas com grande desenvoltura. Num primeiro momento recusara o convite do noivo da senhora Madalena, a dona da pensão em que morava; mas duas noites depois sonhou com a filha do homem e ao acordar estava decidido e pegou o caminho dos cafezais do sul de Minas.


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