Estação de Atocha, Madrid pela manhã. — Por favor, ¿dónde puedo encontrar un hostel? — En la Plaza del Emperador Carlos V, hay un hotel de toda la vida, cuyas habitaciones dan a la estación y al museo. Hay un bar cercano con abundantes raciones y buenas tapas. Tienen buenos platos combinados y camareros dispuestos. Ficou com o quarto. Naquela manhã as paredes, definidas, limitavam-no; no dia seguinte à noite, quando passou para buscar suas coisas enquanto Oleana e o outro casal esperavam embaixo, antes de acender a luz e apagando-a ao sair, a treva estenderá os limites do universo e as torneiras dos quartos vizinhos e as do andar de cima parecerão estar todas abertas.
Trovejava. Solidão. Solidão. Caminhões da prefeitura lançavam jatos de água no asfalto. No corredor do hotel, rodinhas gemiam no piso. Uma voz de homem entre passos diz para a camareira palavras ininteligíveis, abafadas por ecos. Enchem o quarto. Estão por toda parte. Quando era pequeno, tinha vezes que sentava no assoalho e tapava com força os ouvidos, a cabeça entre as pernas, e chorava em desespero durante um tempo enorme até que aos poucos as vozes iam se calando, como agora. É como se o carrinho as tivesse levado. A voz no corredor se desliga dos ecos, que silenciam.
